ECOAMANIFESTO

A literatura brasileira
precisa continuar ecoando.

Dar vida aos livros; dar livros às vidas.

Durante muito tempo, ensinaram quem escreve a esperar.

Esperar terminar o original, esperar alguém ler, esperar uma resposta, esperar uma aprovação, esperar uma editora dizer sim, esperar uma livraria abrir espaço, esperar uma resenha, uma indicação, um convite, uma oportunidade. Como se entre escrever um livro e colocá-lo no mundo existisse uma porta guardada por algumas poucas pessoas autorizadas a decidir quem poderia atravessá-la.

Nós conhecemos as razões que construíram esse sistema e não temos interesse em fabricar inimigos. Fazer livros custa caro. Manter uma editora custa caro. Manter uma livraria aberta custa caro. Distribuir livros em um país imenso custa caro. Há salários, impostos, impressão, frete, divulgação, direitos, comissões e uma quantidade extraordinária de trabalho escondida dentro de um objeto que chega silenciosamente às mãos do leitor.

Sabemos disso porque fazemos parte desse mundo.

Mas fazemos parte dele justamente porque acreditamos que algumas coisas podem ser feitas de outra maneira.

A ECOA nasceu pensando primeiro em quem escreve. Nasceu para trabalhar com autores que não querem permanecer diante daquela porta esperando que alguém lhes conceda passagem, mas que desejam compreender como ela funciona, quais caminhos existem ao redor dela e o que é necessário para construir o próprio caminho quando for preciso.

Porque alguma coisa mudou. Hoje, mesmo o autor publicado por uma grande editora é chamado a falar sobre o próprio livro, participar da divulgação, encontrar leitores, mobilizar sua rede, aparecer, viajar, gravar, conversar e sustentar uma presença para sua obra. A publicação deixou de ser o ponto em que o autor entrega o livro e se retira. Cada vez mais, ela é o momento em que começa outra parte do trabalho.

E quase ninguém prepara o autor para isso.

Nós queremos explicar.

Queremos abrir a caixa-preta da publicação e mostrar o que existe lá dentro: quanto custa produzir um livro, por que custa, o que faz um editor, o que faz um preparador, o que uma capa pode comunicar, por que determinada tiragem custa determinado valor, como funcionam livrarias e distribuidoras e quais caminhos um autor pode explorar depois que recebe seu livro pronto.

Queremos que o autor conheça o terreno antes de decidir onde pisar, porque publicar envolve dinheiro, expectativa, trabalho e risco, e nenhuma dessas coisas deveria ser escondida atrás do prestígio de simplesmente poder dizer que se publicou um livro.

Nosso trabalho também pode começar antes de o original estar inteiramente resolvido. Um conjunto de poemas pode pedir organização, alguns textos podem conversar melhor entre si do que outros, uma sequência pode revelar uma unidade que ainda não estava evidente. Dependendo da obra e do trabalho contratado, a preparação pode envolver sugestões de seleção, organização, cortes e outros caminhos editoriais. Não trabalhamos a partir da ideia de simplesmente receber arquivos e encaminhá-los para a gráfica; queremos entender o livro que o autor pretende construir e ajudá-lo a encontrar a melhor forma possível dentro da proposta de cada projeto.

A ECOA quer estar ao lado de autores imbuídos desse ímpeto de desbravar. Gente que escreveu alguma coisa e decidiu fazê-la acontecer, que deseja produzir um livro com qualidade, encontrar profissionais capazes de ajudá-la e compreender cada etapa sem precisar entregar a terceiros todas as decisões sobre aquilo que criou.

Para esses autores, oferecemos orientação editorial e coordenamos o caminho necessário para transformar um original em um livro pronto: preparação e edição, quando necessárias, projeto gráfico, capa, registros, produção e impressão. Ao final desse processo, o livro pertence ao autor, e nosso trabalho inclui orientá-lo sobre os próximos passos, sobre a organização de um lançamento e sobre possibilidades para apresentar e promover sua obra.

Reunimos profissionais porque acreditamos profundamente no trabalho especializado, mas também acreditamos que conhecimento técnico deve aproximar o autor do processo, e não construir uma parede entre ele e sua própria obra. Queremos que ele compreenda por que determinado caminho foi sugerido, possa participar das escolhas e tenha acesso claro aos custos e às possibilidades de cada etapa.

Queremos autores perguntando por quê.

Por que esta organização? Por que esta capa? Por que este formato? Por que esta tiragem? Por que esta alteração? Por que este preço? Por que esta estratégia para o lançamento?

E queremos ter respostas.

Não respostas inventadas para justificar uma cobrança, nem promessas de que determinado investimento fará um livro vender aquilo que ninguém pode garantir. Queremos respostas editoriais, gráficas e práticas, inclusive quando a resposta mais responsável for admitir que não sabemos o que acontecerá.

Porque ninguém sabe.

Não sabemos qual livro venderá mil exemplares e qual venderá cinquenta. Não sabemos qual lançamento encontrará uma comunidade imediatamente e qual levará tempo para encontrar seus leitores. Desconfiamos de qualquer pessoa que diga possuir essas respostas, porque literatura nunca foi uma ciência exata e o mercado tampouco transformou isso em uma.

O que sabemos é fazer livros e preparar autores para assumirem a vida que começa depois que eles ficam prontos.

Talvez esse seja um dos grandes desafios do nosso tempo editorial. Há mais livros disputando atenção, mais conteúdos disputando tempo, livrarias trabalhando com espaço limitado e editoras administrando catálogos cada vez maiores. Nesse cenário, o autor precisa compreender que receber o livro pronto não encerra seu trabalho com a obra.

É aí que outro movimento começa.

Ele pode apresentar seu livro, organizar encontros, conversar com leitores, procurar espaços, formar comunidades, construir parcerias e descobrir maneiras próprias de promover aquilo que escreveu. Pode ser o primeiro divulgador, articulador e defensor do universo que criou sem precisar transformar a literatura em espetáculo nem transformar a si próprio em produto.

Em outras palavras, nós acreditamos que o autor pode ser o veículo da própria obra.

É nesse ponto que a ECOA escolhe estar: ao lado de quem decidiu levar a sério aquilo que escreve, compreender melhor o processo editorial e assumir um papel ativo na existência do próprio livro. Independência, para nós, também passa por saber escolher de quais profissionais se precisa e entender o trabalho que cada um deles realizará.

Talvez você publique conosco. Talvez publique com outra editora. Talvez mande seu original para uma grande casa editorial e espere uma resposta. Talvez imprima cem livros e venda um por um. Talvez descubra que seu original ainda não está pronto e trabalhe nele durante mais algum tempo.

Há diferentes maneiras de colocar um livro no mundo, e o que nos interessa é que o autor conheça melhor as escolhas que está fazendo e saiba onde está pisando.

A ECOA nasceu para acompanhar quem decidiu transformar um original em um livro feito com cuidado e entregar ao autor não apenas exemplares prontos, mas conhecimento suficiente para que ele saiba o que fazer a partir dali.

Porque há livros demais esperando autorização para existir, enquanto há autores capazes de fazê-los acontecer.

ECOA

O próximo passo
é seu.

Chegou a hora?

Entre em contato

E-mail ou WhatsApp. Você escolhe.